
Conheça um pouco da história do Tratttoria Della Nonna
Sr. Vincenzo Visciglia nasceu em Fuscalo, cidade da Calábria, sul da Itália. É casado com a professora Zuma Salatti Visciglia., pai do Enrico, do Giovanni, do Vincenzo e da Carla Rafaella. O casal tem sete netos: Natália, Olívia Alejandra, Giovana, Laura, Lívia, Enzo e Luísa. Sr. Vincenzo veio da Itália para o Brasil em 1955 como imigrante, época de pós-guerra, seguindo o caminho de seu pai Enrico, de seu tio Francesco e da Tia Colina. Dona Zuma nasceu em Mombuca, município de Capivari, Estado de São Paulo, um poético lugarejo. De descendência de italianos que aqui aportaram na primeira leva de imigrantes.
Dona Zuma, como aconteceu Tatuí em sua vida?
Eu ingressei no magistério em 1955, em Capão Bonito. Aos poucos fui vindo mais para perto de Piracicaba e cabei parando em Tatuí, em 1958. Gostaria de ter ido estudar em São Paulo, mas acabei me casando com o Vincenzo e ficamos por aqui.Nos conhecemos no hotel Afonso. Vincenzo morava no hotel e trabalhava na Vermiculite - uma empresa de extração de minério-material, isolante térmico e acústico. Até 1983 fui professora no Instituto de Educação Barão de Suruí e trabalhei como orientadora pedagógica no Museu Paulo Setúbal.
Como surgiu a Trattoria Della Nonna ? 
Vincenzo começou a fabricar máquinas para macarrão e a gente testava as máquinas, fazia macarrão, presenteava os amigos e muitos vinham comer aqui em csaa. A história começou como amigos testendo a massa até ficar no ponto ideal - a massa feita na máquina mas muito próxima da massa caseira.
E as receitas?
Nós já fazíamos estas receitas para nós. Eu aprendi a cozinhar depois que casei. Aprendi lendo um livrão de receitas Il Talismo Della Felicitá - neste livro aprendi italiano e aprendi a cozinhar. Passamos por um período de pesquisas. Depois, passei um tempo no Grande Hotel de São Pedro e fui transformando as receitas caseiras para proporções de restaurante. O restaurante exigiu da gente muito trabalho - tudo pesado, calculado, organizado. Até agora se vamos apresentar um prato novo, o processo é o mesmo.
Como a senhora conseguiu conciliar a vocação de professora, os filhos e a empresa? 
Terminei meus estudos com mestrado e muitos cursos de especialização. Dediquei minha vida a acompanhar meu marido nesta iniciativa e passei da pesquisa histórica para a pesquisa culinária. Os filhos foram criados para este trabalho e sempre nos ajudaram. Eles estudavam e trabalhavam. A medida que o restaurante foi aumentando e a nossa produção crescendo, fui formando uma equipe. Às vezes eu ficava sozinha e tinha que começar tudo de novo. Nós temos que orientar e ensinar, o restaurante passa a ser um escola para o funcionário.
Qual o seu modo de olhar a vida?
Eu acho que a gente vive por uma razão de ser e você traça a sua vida e vai se adaptando às circunstâncias. O importante é você fazer tudo bem feito. Acho a vida muito bonita. Temos qye saber transpor os obstáculos para alcançar um objetivo. Pelo que eu senti e aprendi, nascemos em uma determinada família porque tínhamos qye nascer ali. Aquela família estava preparada para você e a família que constrói também estava predestinada. E você tem que viver bem e fazer o melhor que pode. Existem as almas que nos ajudam a vencer as dificuldades da vida. Esta vida é uma passagem para a nossa evolução - temos que ter amor e paciência.
Família
Ontem meu neto fez quatro anos e antes da comemoração no buffet, nós fizemos aqui em casa um jantar com todos reunidos ao redor do nonô, que não poderia ir. A família nossa é muito unida, nós trabalhamos juntos, nos divertimos, sofremos, mas todos participam. O nonô pode estar doente, mas se irrita com as crianças em momento algum. Vincenzo se preocupou demais com os filhos. Ele é um bom pai e um bom avô.
Um fato marcante em sua vida?
Tantas coisas boas aconteceram na minha vida... Bem, mais a coisa mais gostosa foi a primeira vez que fomos à Itália juntos. Fui conhecer a casa onde nasceu meu pai e fomos à casa onde Vincenzo morou até ir ao Brasil. Foi um viagem muito romântica - passeamos de carrocella puxada a burros, em Palermo, na Sicília.
Jogo Rápido:
Dona Zuma
A melhor receita: Spaghetti ao Sugo
Um lugar no mundo: minha casa
Leitura preferida: romance. Estou lendo no nomento Solsístico de Inverno. Sempre leio.
Saudade de que? da minha infância. De tomar banho no rio, chupando sabará no pé, trepando em árvore.
Um sonho: são tantos os sonhos. O que eu mais gosto é viajar. Quero conhecer os lugares estão no meu planejamento.
Mãe: a minha mãe
Um prato típico: Latuga - é um doce frito que é servido no Natal. Esta tradição é da minha família.
Turdelli: é da terra do Vincenzo, é uma massa com vinho, óleo e depois se coloca o mel de fígo.
Sr. Vincenzo
O que o senhor gosta de comer?
Gosto muito de lasanha com funghi fresco por cima. Adoro frutas.
Tatuí
Vim pra cá em 1958. Na hora em que eu cheguei era uma gostosura. Hoje, quando meus filhos saem, fico sempre com medo, se voltam ou se não voltam. A gente tem alguma lembrança - eu me dava muito bem com o seu avô que era siciliano. No armazém de vocês, eu comprava um queijo parmezon muito bom. Também tive amizade com seu pai que era um homem muito bom.
A vida
Minha vida foi praticamente normal. Chegueio aqui solteiro e queria alguém para me casar. A gente era moço, solteiro, tinha uma namorada e cada canto. Depois, vim para Tatuí que me falaram que era depois de São Roque, que eu conhecia como a terra do vinho. Terminei dois noivados com uma noiva em Jacareí e outra em São José dos Campos e, enfim, encontrei a mulher que eu estava procurando, a Zuma, e nos casamos. Aqui fiz muitos amigos, o Alceu Machado, o Kalume, o Rubens Viana, o Machado, que são meus amigos até hoje. Gosto muito de Tatuí. É uma terra de gente boa.
Sr. Vincenzo e Dona Zuma.
Na casa de vocês o prato principal é o amor, servido na mesa de jantar comprida com filhos, noras, genro e netos . É o amor compartilhado com amigos que o tempo fez.
Carinho
Cristina Siqueira